ALEPE discute rede de proteção às mulheres em Pernambuco
A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Assembleia Legislativa realiza na próxima quarta-feira, 02, a audiência pública Quando a rede falha: desafios na proteção e no atendimento às mulheres em situação de violência em Pernambuco. O encontro acontece a partir das 9h30, no auditório Ênio Guerra da Casa Legislativa e vai reunir representantes das Secretarias da Mulher do Estado e de municípios da Região Metropolitana e do interior, da Polícia Civil de Pernambuco, da Defensoria Pública, do Tribunal de Justiça e do Tribunal de Contas de Pernambuco.
A audiência merece ainda mais relevância visto que será a primeira vez em que estarão reunidos num mesmo debate público os principais representantes dos órgãos que integram a rede de proteção em todo Estado após a divulgação do levantamento do TCE-PE, que apontou que 90% dos municípios pernambucanos têm a política de proteção à mulher em situação crítica ou insuficiente. O estudo reuniu informações dos 184 municípios de Pernambuco e do Distrito Estadual de Fernando de Noronha e considera 31 variáveis relacionadas à estrutura e ao funcionamento das políticas municipais de proteção às mulheres.
“Os dados são preocupantes e evidenciam a necessidade de fortalecer a articulação entre municípios, Estado, sistema de Justiça, segurança pública e todos os membros da rede de proteção, incluindo aí a sociedade civil. Esse diagnóstico apresentado pelo Tribunal de Contas aponta algumas das principais fragilidades da rede de proteção. Os avanços existem, mas ainda caminham a passos lentos diante da realidade que enfrentamos. Promover esse debate é nosso compromisso para fazer essa rede funcionar antes que a violência chegue ao extremo — como aconteceu com Maristela Just há quase quarenta anos e segue acontecendo com centenas de mulheres ainda hoje”, destaca a Delegada Gleide Ângelo, presidente da Comissão.
A fim de conectar a realidade passada e os desafios que ainda precisam ser enfrentados nos dias de hoje, o filho de Maristela Just, Zaldo Just Neto, que recentemente ressignificou a experiência de seu luto no livro “Além das Cicatrizes”, também participará da audiência. “É justamente esse o propósito da audiência pública: olhar para uma realidade que ainda impõe às mulheres medo, violência e, muitas vezes, uma espera dolorosa por justiça. A história de Maristela não pode ser apenas uma lembrança do passado; ela precisa nos provocar a agir para que outras mulheres sejam salvas e não tenham suas vidas interrompidas pela violência”, conclui a Delegada.
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Imagens — Americo Santos





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