Perita da Polícia Científica de Pernambuco conquista reconhecimento internacional na área de genética forense com videoclipe artístico
A presença feminina na segurança pública tem avançado em diferentes frentes, incluindo áreas da investigação criminal que integram ciência aplicada e tecnologia. Em Pernambuco, esse protagonismo se destaca na produção científica voltada à perícia, como demonstra a trajetória da perita criminal Natália Oliveira, integrante da Polícia Científica, há oito anos.
Atualmente na Coordenação de Ensino, Pesquisa e Gestão da Qualidade da instituição, Natália alcançou prestígio internacional ainda durante o Curso de Formação, tornando-se a primeira mulher negra, pernambucana e latino-americana a vencer uma das categorias do concurso internacional Dance Your PhD (Dance o seu PhD), promovido pela revista científica Science em parceria com a Associação Americana para o Avanço da Ciência. A competição desafia doutores e doutorandos a apresentarem suas teses de forma criativa, por meio da dança e da expressão corporal.
A pesquisadora venceu na categoria Química e também recebeu o prêmio de escolha do público com um videoclipe interpretativo que traduz, por meio da dança, conceitos de sua tese de doutorado, voltada ao desenvolvimento de biossensores aplicados à ciência forense.
“Minha tese trata do desenvolvimento de biossensores para detectar fluidos corporais em locais de crime. O equipamento funciona de forma semelhante aos medidores de glicose usados por pessoas com diabetes e utiliza uma molécula de DNA para identificar substâncias como sangue, sêmen e saliva, mesmo quando há tentativa de eliminação de vestígios com produtos de limpeza”, explica a perita.
O videoclipe premiado foi produzido em parceria com a companhia de dança Vogue 4 Recife, da qual Natália fazia parte à época, e contou com referências à cultura dos bailes noturnos e séries de investigação criminal, aproximando o público geral de um tema normalmente apresentado em linguagem técnica.
Para a perita, o reconhecimento internacional reforça o potencial da ciência brasileira e amplia a visibilidade do trabalho de pesquisadores ligados à segurança pública. “Esse prêmio mostra que pesquisas desenvolvidas em universidades públicas brasileiras, ainda mais por mulheres, podem ganhar destaque mundial. É uma forma de abrir caminhos para que outras meninas também ocupem esses espaços. Além disso, demonstra que a ciência pode ser comunicada de maneira acessível. Quanto mais pessoas entenderem nosso trabalho nos laboratórios e na perícia, maior é a valorização da nossa atuação”, afirma Natália.
Ela ressalta ainda que o incentivo recebido ao longo da trajetória reforça o compromisso da Polícia Científica com o avanço das técnicas periciais e a produção de conhecimento aplicado à investigação criminal. “Na época do vídeo e da premiação, eu ainda estava no Curso de Formação e mesmo assim recebi grande incentivo da instituição e dos colegas. Isso é muito importante, pois a presença de mais mulheres nesses ambientes traz novas perspectivas e ajuda a enfrentar os desafios complexos da sociedade”, conclui.





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