Raquel Lyra abre espaço para diálogo sobre reivindicações da categoria e Sindifisco adia decisão sobre greve
Foto: Henrique Santos/Sindifisco-PE
O Sindifisco-PE, representante dos auditores fiscais e julgadores administrativo-tributários do estado, decidiu, por unanimidade, adiar para a terça-feira (24), durante nova Assembleia Geral Extraordinária (AGE), a votação sobre a deflagração de greve da categoria. A resolução é fruto de convite do Governo Raquel Lyra, por meio da Secretaria da Casa Civil, para conversa que acontecerá amanhã (20) sobre as reivindicações da classe.
A abertura do diálogo é uma importante conquista do Sindicato, que vinha tentando, há meses, manter negociações para construção de soluções negociadas com a gestão estadual, mas não obteve sucesso diante da política deliberada de desvalorização da Secretaria da Fazenda.
“A decretação de greve de qualquer categoria tem como objetivo trazer o outro lado para conversar. Felizmente, depois de muita discussão e publicações nos veículos de imprensa, antes da decretação que certamente seria aprovada hoje, o Governo nos chamou para conversar. Amanhã, participaremos da conversa com o secretário da Casa Civil, Túlio Vilaça, e temos plena confiança de que chegaremos a um bom termo”, afirmou o presidente do Sindifisco-PE, Nilo Otaviano, em AGE realizada nesta quinta-feira (19) que contou com aproximadamente 400 participantes.
No entanto, Nilo fez questão de deixar claro que, em caso de novas negativas do Governo, a categoria poderá sim decidir pela paralisação. “Os auditores fiscais seguem firmes na defesa de um sistema tributário eficiente, justo e capaz de sustentar o desenvolvimento do Estado. Porém, acreditamos que quando a estrutura responsável por esse processo é enfraquecida, toda a sociedade sente os efeitos”, explicou.
A condução da política fiscal do Estado, até agora, marcada por decisões unilaterais e falta de diálogo, acende um alerta sobre os riscos à arrecadação e à própria capacidade de investimento público. Não se trata de uma reivindicação isolada, mas de um debate estrutural sobre o funcionamento da Secretaria da Fazenda.
Ao longo dos últimos meses, o Sindifisco-PE tem buscado, de forma responsável, abrir canais de negociação e construir soluções equilibradas. No entanto, o que se observou foi um cenário de esvaziamento institucional, com medidas que fragilizam a atuação dos auditores e comprometem a eficiência da máquina arrecadatória. Esse contexto gera insegurança e impacta diretamente a sustentabilidade financeira do Estado.
“Estamos apostando no entendimento com o governo, a partir da reunião de amanhã, de forma que, até a segunda-feira, cheguemos ao atendimento das questões principais do Fisco estadual. O momento atual exige responsabilidade fiscal e planejamento estratégico, pois a arrecadação deste ano servirá de referência futura para efeito de repasse de recursos do Fundo de Equalização de Receitas, com a implantação do IBS”, conclui Nilo Otaviano.





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